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Juntos pela saúde mental no trabalho: a campanha 2026–2028

Material da campanha europeia «Locais de Trabalho Seguros e Saudáveis 2026–2028: Juntos pela saúde mental no trabalho», com o lema «Good for you, good for business».

Para o biénio de 2026–2028, a Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho (EU-OSHA) lança uma nova edição da campanha «Locais de Trabalho Seguros e Saudáveis», desta vez totalmente dedicada à saúde mental: «Juntos pela saúde mental no trabalho».

O lema que acompanha a campanha — «Good for you, good for business» — resume, com simplicidade, aquilo em que acredito há mais de três décadas: cuidar da saúde mental de quem trabalha é bom para as pessoas e é bom para as organizações. Não é um custo, é um investimento; não é um acessório, é uma condição de desempenho sustentável.

A escolha do tema não é casual. O stress, o desgaste e as condições de trabalho desfavoráveis estão entre os problemas mais reportados pelos trabalhadores europeus e a prevenção dos riscos psicossociais é hoje reconhecida como parte integrante da gestão da segurança e saúde no trabalho — ao mesmo nível que os restantes riscos profissionais.

Porque é que esta edição importa

A saúde mental no trabalho deixou de poder ser tratada como tema marginal. Atravessa setores, funções e níveis hierárquicos e manifesta-se tanto em situações de excesso de trabalho como de subutilização de competências, de conflito ou de falta de sentido no que se faz.

A campanha 2026–2028 coloca este tema no centro da agenda da segurança e saúde no trabalho, em todos os países da União. Uma campanha de dois anos tem um valor que vai além da visibilidade: cria um quadro comum, com objetivos, materiais e momentos partilhados, e dá às organizações um ponto de apoio para iniciarem ou consolidarem o seu trabalho nesta área. Ninguém parte de zero — junta-se a um movimento europeu.

Há ainda uma razão de ordem prática: as campanhas da EU-OSHA disponibilizam, de forma gratuita e em várias línguas, guias, materiais e bons exemplos. Para muitas organizações — sobretudo as pequenas e médias, que nem sempre têm estruturas especializadas — este é um apoio concreto para dar o primeiro passo ou para confirmar que o caminho percorrido está orientado no sentido certo.

Uma oportunidade para partilhar boas práticas

Esta edição constitui uma oportunidade para as organizações, os trabalhadores, os parceiros e outros intervenientes no domínio da segurança e saúde no trabalho partilharem boas práticas para prevenir os riscos psicossociais no trabalho.

E há, de facto, muito para partilhar: avaliar os riscos psicossociais com instrumentos adequados; envolver as pessoas na identificação dos problemas e das soluções; formar lideranças para reconhecer sinais de desgaste e agir cedo; equilibrar a carga de trabalho; construir climas de confiança e segurança psicológica; e integrar a saúde mental na organização e gestão da empresa, e não apenas em ações pontuais.

A partilha é essencial porque a prevenção dos riscos psicossociais não é um receituário fechado. Cada organização tem a sua cultura, os seus desafios e as suas pessoas — mas ninguém precisa de começar do princípio. As boas práticas de uns são a inspiração de outros.

Partilhar boas práticas é também um exercício de generosidade organizacional: significa reconhecer que os problemas existem, mostrar como foram resolvidos e permitir que outros avancem mais depressa. A campanha existe precisamente para tornar essa partilha visível, estruturada e útil.

O que são os riscos psicossociais

Os riscos psicossociais são as condições de trabalho que podem prejudicar a saúde mental e física das pessoas: cargas de trabalho excessivas ou desequilibradas, falta de controlo sobre o próprio trabalho, relações difíceis ou violentas, falta de clareza nas funções, insegurança, mudanças mal geridas ou desrespeito. Não são «problemas de pessoas»: são características da forma como o trabalho está organizado — e é precisamente por isso que se podem prevenir.

Os seus efeitos conhecem-se: stress prolongado, ansiedade, desgaste profissional, perturbações do sono, absentismo e presentismo, queda do envolvimento e da qualidade do trabalho. Os seus custos também: para a pessoa, que sofre; para a equipa, que se resente; para a organização, que perde capacidade, talento e reputação.

A boa notícia é que estes riscos se podem medir, prevenir e corrigir. Avaliação regular, escuta das pessoas, ação sobre a organização do trabalho e acompanhamento ao longo do tempo são a espinha dorsal de qualquer intervenção séria nesta área.

De onde partimos, em Portugal

Em Portugal, temos referenciais que dão estrutura a este trabalho: a NP 4590, sobre o risco psicosocial no trabalho; a NP 4552, sobre a saúde mental no trabalho; e a ISO 9001, que assegura a organização e gestão dos processos. Instrumentos de avaliação validados, como o PPJM e o COPSOQ III, permitem fazer o diagnóstico com rigor e acompanhar a evolução ao longo do tempo.

A experiência acumulada de avaliação e intervenção em centenas de organizações mostra que é possível agir com rigor e obter resultados medíveis. A campanha europeia encontra-se, assim, com aquilo que já é possível fazer junto das organizações portuguesas — e cria uma janela de oportunidade para quem ainda não deu este passo.

Um compromisso reiterado

Neste enquadramento, reitero o meu compromisso de responsabilidade social, que mantenho há mais de 30 anos, na prevenção e promoção da saúde mental em contexto de trabalho: apoiar empresas, equipas e pessoas na construção de locais de trabalho onde a saúde mental é protegida, promovida e integrada na forma de organizar o trabalho.

Este compromisso não é uma declaração de intenções: é um percurso concreto, feito de avaliações, planos de intervenção, formação de lideranças e acompanhamento de resultados, ao serviço de organizações públicas e privadas.

Aderir à campanha é um gesto concreto nesse sentido. Mais importante ainda é transformar a adesão em prática: avaliar, intervir, medir e melhorar, de forma contínua.

Juntos pela saúde mental no trabalho

A saúde mental no trabalho é boa para as pessoas e boa para as organizações. Nos próximos dois anos, quem se juntar a este esforço europeu tem a ganhar — e, sobretudo, têm a ganhar as pessoas que todos os dias dão vida ao trabalho.

Quem ainda não aderiu tem, nos próximos dois anos, uma porta aberta: juntar-se à campanha, conhecer as boas práticas partilhadas e começar — ou continuar — o seu próprio caminho para um local de trabalho seguro e saudável.

Contem comigo

Campanha Locais de Trabalho Seguros e Saudáveis 2026–2028 · healthy-workplaces.eu

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